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Fonte Arcada

28 de Setembro de 2009 


1124-1128

Primeira Sede da Ordem 


 
Anterior à nacionalidade, a "villa" de Fonte Arcada foi doada, em 8 de Agosto de 1124, pela rainha D. Teresa, mãe de Afonso Henriques. 

"A Ordem possuiu hospital e casa em Fonte Arcada, como prova um contrato feito entre o Mestre do Templo e o Bispo do Porto, onde se estabeleceu o que devia ser dado ao Bispo, quando este visitasse pessoalmente a «Igrª d S. Thiago d Font Arcada». Com a extinção da Ordem em 1312, D. Dinis, Rei de Portugal, passou todos os bens para a Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo (Ordem de Cristo), fundada em 1319 e que não foi mais que a continuação da Ordem do Templo, mas com outro nome. Diz a História que Fonte Arcada passou, então, a ser uma reitoria da apresentação da Mesa da Consciência e Comenda da Ordem de Cristo, no antigo Concelho de Penafiel de Sousa. Beneficiou do foral de Penafiel, dado por D. Manuel, em Évora, a 1 de Junho de 1519 e pertenceu ao extinto bispado de Penafiel, arcediagado de Penafiel (século XII)."

Na realidade, esta foi a segunda doação de D. Teresa aos Templários.
A anterior, que foi a primeira Sede do Templo, foi a de S. Salvador de Fonte Arcada que ficava muito perto de Póvoa de Lanhoso, Braga. Ali existiu um mosteiro Beneditino, fundado em 1087, que veio a ser incorporado no de S. Bento de Ave Maria do Porto, no século XVI. Neste mosteiro viveu e professou "Donna Froilla Herminges", sobrinha-neta de Egas Moniz, o Aio, riquíssima senhora que fez grandes doações, em 1228 ao Templo. 

O topónimo deriva da existência de uma "fonte em arco", que como em outros exemplos do nosso país, dão nome às povoações. Estas "fontes arcadas" parecem ter a sua origem anterior à época do despovoamento, entre os Séculos VIII e IX. São assim chamadas por serem em abóbada. Nestas fontes a água brotava do fundo duma arca ou cisterna, que servia para consumo das populações. 








Ega

1 de Outubro de 2009



De origem bastante remota, a povoação da Ega foi doada à Ordem do Templo pela rainha D. Tereza, em 1128, a par da vila de Soure e outras terras entre Coimbra e Leiria, território então despovoado e de domínio muçulmano. Quando D. Afonso I assumiu os destinos do Condado Portucalense, anulou a doação feita por sua mãe; todavia - e depois de em 1135 ter resgatado Ega ao jugo muçulmano - fez dela nova doação à Ordem Templária. 
O primeiro foral da Ega, concedido pelo Mestre Templário frei Estevam Belmonte, data de 1 de Setembro de 1231. 
Com a dissolução da Ordem, o património - e entre ele a comenda da Ega - foi incorporado na Ordem Militar de Cristo, instituída por D. Dinis em 1319. Inaugura-se então, para este território, um período de desenvolvimento e prosperidade que em 1516 justificará a atribuição de um segundo foral a esta vila, desta feita, por D. Manuel I. 
No século XVIII foi criado o título de conde da Ega, na pessoa de D. Manuel de Saldanha e Albuquerque, do conselho do rei D. José I. 

Pelourinho de Ega



Pormenor do Pelourinho 

De vila afecta à jurisdição de Leiria, em 1762, Ega foi - ainda antes de 1821 e até 1835 - sede de concelho. Estas atribuições foram-lhe contudo retiradas aquando da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira. Em 1838 passa, definitivamente, a integrar o concelho de Condeixa-a-Nova. 
Do século XVI (e início do século XVII) subsistem, ao nível do património edificado, os três mais representativos monumentos da freguesia: o Pelourinho, a Igreja Matriz e o Palácio dos Comendadores.


De origem antiquíssima, a Igreja matriz é referenciada em documentos do século XII, obedecendo, nessa altura, a um traçado românico ou gótico. É reedificada em 1521, sob a orientação do arquitecto régio Marcos Pires, responsável pelo labor manuelino que identifica ainda a Igreja, não obstante as sucessivas reformas que têm vindo a contribuir para a sua descaracterização. 
Na sua sóbria fachada, inscreve-se um portal manuelino de cantaria lavrada, donde sobressaem o escudo nacional e a Cruz de Cristo. 
O seu interior desvela, também, outras obras de arte que chegaram até hoje: a abóbada estrelada da capela-mor, obra de Diogo de Castilho e que data aproximadamente de 1530; o altar-mor, exibindo um tríptico - mandado pintar em 1543 pelo Comendador D. Afonso de Lencastre - em cujo painel central figura Nossa Senhora da Graça, tendo ajoelhado aos pés, esse mesmo comendador; dois retábulos seiscentistas, com pinturas e imagens de interesse. 

Tríptico do altar Igreja Matriz de Ega - Igreja de Nossa Senhora da Graça 

Pormenor do fresco 

O paço dos Comendadores é um palácio rural que foi pertença e moradia dos Comendadores da Ordem Templária e da Ordem de Cristo. Edificado entre os finais do século XII e princípios do século XIII e reconstruído no século XVI por Marcos Pires (o mesmo arquitecto responsável pela construção da matriz), apresenta uma estrutura quadrangular e maciça, bastante fustigada pelo tempo; só as janelas manuelinas, que conserva, oferecem algum contraste à sua rigidez geométrica. 
Foi construído no lugar onde, séculos antes, se erguia o castelo da Ega, a que fazem referência alguns esparsos documentos, e de cuja existência ainda conseguimos perceber alguns vestígios.
Em 1941, escavações na proximidade revelaram ossadas de cavaleiros da Ordem.

Paço dos Comendadores da Ega / Paço da Ordem de Cristo 

O paço, antigo castelo da Ega 

Redinha

15 de Outubro de 2009

Igreja Matriz de Redinha / Igreja de Nossa Senhora da Conceição

A Vila da Redinha foi Comenda da Ordem e teve o seu primeiro Foral atribuído em 1159 pelo Mestre dos Templários portugueses D. Frei Gualdim Paes e mais tarde confirmado por D. Manuel I a 16 de Dezembro de 1513. 
Junto ao monte do velho castelo, corre o rio Anços, sendo as suas margens, abundantes em vegetação, o local onde se fixaram os primeiros povoadores da freguesia e, mais tarde, os freires da Ordem de Cristo do Colégio de Coimbra, edificando uma capela com residência: a Capela de S.Lourenço. A Ordem possuía nesse local alguns lagares e outras explorações, como os moinhos; segundo os antigos forais, só os frades irmãos gozavam o direito de construir e explorar os moinhos, desde a nascente do rio até à vila de Soure. 
Embora a freguesia pertencesse à Ordem de Cristo, era da apresentação da coroa e do tribunal da Mesa da Consciência, dispondo ainda de um coadjutor. 
A antiga Comenda da Ordem, rendia 4.000 cruzados, sendo os seus comendadores os Condes de Castelo Melhor. 
Existia em Redinha um morgadio dos Távoras, instituído por Pantaleão Ferreira de Távora, 3º neto do Conde da Feira. 

Igreja de S. Francisco

Pelourinho

A 12 de Março de 1811 houve na freguesia o chamado "Combate da Redinha", em que as tropas francesas, depois de incendiar e saquear toda a vila, escaparam por uma estreita ponte de pedra de origem românica sem que os conseguissem deter. Actualmente é um dos "ex-libris" da vila. 

Ponte sobre o rio Anços

A Vila de Redinha situa-se na base da Serra de Sicó, num vale bastante fértil, devido principalmente à abundância de água. 
O orago da freguesia é Nossa Senhora da Conceição, celebrada anualmente em Agosto. 
A Igreja Matriz, de estilo manuelino, é um dos monumentos mais antigos da vila e foi restaurada no século XVIII. 
A existência do Pelourinho, símbolo de poder local, confirma a autonomia administrativa e judicial que a vila teve, encontrando-se no centro da povoação, a antiga Câmara e Cadeia. 
Um dos monumentos de Redinha, também de grande interesse, tanto turístico como histórico, é a Quinta de Santana, casa senhorial do século XVIII, incendiada aquando das invasões francesas e reconstituída por várias vezes; esta quinta era pertença da Ordem de Cristo. 

Longroiva

4 de Dezembro de 2009


Vista geral de Longroiva 

O Castelo de Longroiva está situado no ponto mais alto do antigo castro de Longobriga. No inventário dos bens do Mosteiro de Guimarães, no ano de 1059, vem relacionado este castelo. Neste período, ocorre um expressivo surto de povoamento na região, atribuído a D. Egas Gozendes, que outorga uma Carta de Foral a Longroiva em 1126, e posteriormente, a D. Fernão Mendes de Bragança (esposo da Infanta D. Sancha e, portanto, cunhado de D. Afonso I), que doa estes domínios de Longroiva à Ordem do Templo em 1145, sendo Mestre Hugo Martins. 

Actual estado do castelo; reconstrução moderna 

Em 1176, o Mestre D. Gualdim Pais reedifica o castelo e na Torre de Menagem monta um hurdício (galeria de madeira que, no topo dos muros, permitia o ataque vertical sobre o inimigo) como denunciam os encaixes talhados nos silhares onde este se apoiava o que a torna o primeiro exemplar da arquitectura militar portuguesa a adoptar este sistema. 
Ainda se pode ver a inscrição comemorativa da construção da Torre de Menagem gravada em três silhares na fachada Oeste e que dizem: 

Silhares da torre de menagem com inscrição 

[IN E]RA MCCXII MAGISTER GALDINUS CONDUTOR PORTUGALENSIUM MILITUM TEMPLI REGNA[NT]E ALFONSO PORTUGALENSIUM REGE CUM MILITUBUS SUIS EDIFICAVIT HANC TURRIS 

Tradução: "Na era de César de 1214 anos (1174), Gualdim, chefe dos cavaleiros portugueses do Templo, mandou edificar esta torre com os seus soldados, reinando Afonso Rei de Portugal". 
Este reduto Templário constituiu uma posição estratégica militar importante durante a fase transitória da reconquista e foi uma base principal para os cavaleiros da Ordem do Templo. 
D. Dinis (1279-1325) concedeu foral à vila, e, em 1304, mandou fazer alguns reparos no castelo. Ainda no seu reinado, em 1319 e perante a extinção da Ordem Templária, os domínios da povoação e seu castelo foram incorporados ao património da Ordem de Cristo, sua sucessora. 
Quase no extremo norte do vale mantém-se ainda um testemunho do aproveitamento agro-pecuário, que a Ordem de Cristo aqui fez, conservado no nome da "Quinta do Chão de Ordem". Os núcleos populacionais, anexos de Longroiva, nascidos de antigas vilas agrícolas romanas, ou de herdades medievais sob a protecção dos Templários, são as Quintãs, a Quinta da Relva, a Quinta da Cornalheira e a dos Gamoais. 

Entrada da torre com vestígios do hurdício 

"Cruz" Templária inscrita na rocha idêntica à de Castelo Novo 

A 25 de Outubro de 1507 dá-se a visitação de Frei João Pereira, da Ordem de Cristo, ao Comendador Frei Garcia de Melo, que executou benfeitorias no castelo, onde consta que a praça de armas havia sido quase que inteiramente tomada pelo Paço do Comendador: 

"torre de dois pisos e edifício que constitue os aposentos do Comendador, de dois andares com cinco divisões em cada, com chaminés em tijolo e forro interno de madeira, a que se adossavam casa de hóspedes, cozinha com forno, celeiro e estrebaria".* 

Na torre de menagem, ao centro da praça de armas, defendida por um hurdício, rasgava-se uma janela mainelada, em estilo manuelino, que chegou aos nossos dias. Em 1510 D. Manuel concede-lhe Foral Novo. 

Poço da cisterna do castelo na praça de armas 

Capela da Sra do Torrão, lateral à matriz 

No século XVIII, uma descrição do castelo referia que com relação ao paço "novo" do Comendador, as suas casas "encontravam-se já destelhadas e em ruína", a cisterna, que abastecia a guarnição, entupida, e as portas do castelo, que no passado haviam defendido o acesso, não possuíam já qualquer grade ou portão de madeira. 

Tampa de sepultura 

No último quartel do séc. XVIII, o castelo foi transformado em pedreira local, e desmanteladas as suas muralhas. Em 1855 foi extinto o Concelho de Longroiva. Nesse período, provavelmente a partir da extinção das ordens religiosas (1834), a sua praça de armas passou a ser utilizada como cemitério da vila, função que perdura até hoje. 

Foi na capela da Senhora do Torrão, originariamente um pequeno templo românico, junto ao castelo, que os Templários deixaram os testemunhos mais expressivos da sua passagem, designadamente a consagração da pequena capela em honra de Santa Maria, S. Nicolau Confessor e outros santos, uma tampa sepulcral com uma cruz de Cristo esculpida e uma espada, e uma outra cruz de Cristo no antigo Tribunal e Cadeia.  

Placa de homenagem de uma ordem neo-templária (OSMTH) aos Templários de Longroiva 


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* - Aqui fica uma curiosa descrição do castelo:

"Acima um pouco da dita igreja tem a Ordem um castelo, em que tem uma torre de menagem, toda de cantaria lavrada, e de boa altura. E tem dous sobrados, igualmente madeirada e coberta de telha vã, e tem uma boa janela nova contra o ponente, com suas portas novas. E leva a dita torre pelo vão 5 varas de longo e 3 varas de largo. Tem um portal pequeno, com suas portas ainda boas. Arredor da dita torre está o aposentamento do dito comendador, ao qual entram per um portal novo de cantaria, bem obrado, com suas portas bem fechadas. E além do dito portal está um arco, outrossi de cantaria. E à entrada do dito arco está um recebimento pequeno, em que está uma cisterna. E logo à mão direita está uma sala, novamente feita com seu portal e paredes de cantaria, e tem suas portas novas. Esta sala é sobradada, e sobem a ela per uma escada de pedra com seu mainel outrossi de pedra, e tem ao norte uma boa janela de assentos, com suas portas boas e novas. Ao centro desta sala está ora feita de novo uma chaminé grande, de madeira barrada e sobre a dita escada e na dita sala estão uns almários novos de castanho. Esta sala leva de longo 8 varas e 4 e meia de largo. E leva uma casa de baixo deste tamanho. À mão direita da entrada da dita sala está uma câmara que está sobre a primeira entrada, outrosi novamente feita, bem madeirada de madeira de castanho, e telhada de telha vã. E tem uma janela de assentos com suas portas novas, contra o ponente. Leva 5 varas de longo e 4 de largo. A dita sala tem as paredes cafeladas da parte de dentro. À mão sestra da entrada da dita sala tem outra sala velha, com um portal novo de pedraria e suas portas novas, madeirada de madeira velha e coberta de telha vã, que leva 7 varas de longo e 5 de largo. E está nela uma escada de madeira, per que vão à dita torre. Debaixo desta sala vai uma logea, do tamanho dela, que ora serve de adega. Além desta sala está outra casa pequena, velha, madeirada de castanho e telhada de telha vã. E tem uma janela nova de pedraria, com seus assentos e portas, contra o levante. Esta casa leva de longo 6 varas e 3 de largo. Além desta casa está outra casa pequena, da dita maneira, que se não mediu por estar fechada. Diante da dita sala e câmara novas e no dito recebimento está uma casa sobradada, que é casa de hóspedes. As paredes de cantaria, bem obrada, igualmente madeirada e coberta de telha vã. E tem uma janela contra o ponente. Leva de longo 5 varas e 4 de largo, e é sobradada. Além desta casa vai outra casa térrea que serve de cozinha, e tem dentro um forno. Está madeirada de madeira velha, e telhada de telha vã. E leva 7 varas de longo e 4 de largo. Além desta casa está outra casa que serve de celeiro, térrea, coberta de telha vã. Leva 6 varas e meia de longo e 6 escassas de largo. Junto da dita torre constra o sul está uma casa térrea, que serve de estrebaria, com suas manjedoiras, telhada de telha vã. Leva 7 varas de longo e 5 de largo. Estas casas estão cercadas pela maior parte de muro velho, per partes derribado, que foi já em outro tempo cerca do dito castelo. E diz-se que foi já aqui convento dos cavaleiros do Templo."

Soure

16 de Março de 2010




Soure foi doada aos cavaleiros Templários em 1128 por D. Tereza e confirmada a doação por D. Afonso Henriques em 1129. 
Foi a segunda Sede da Ordem do Templo, após Fonte Arcada, em Braga. 
A fundação da fortificação de Soure é atribuída aos muçulmanos (séc.IX) que o edificaram a partir de restos de construções de épocas anteriores. 
O documento escrito mais antigo que se refere a Soure data de 1043 assinalando a doação, ao Convento da Vacariça, de um mosteiro que ali possuíam os irmãos João, Sisnando, Ordonho e Soleima. 


O castelo foi pertença do Conde Sesnando Davides a quem Fernando Magno entregou o governo da região após a tomada de Coimbra em 1064. 
Em Julho de 1111 o Conde D. Henrique e a rainha D. Teresa concederam foral à vila. Este importante documento estipulava um conjunto de previlégios fiscais com o objectivo de atrair e fixar as populações. 
No período da reconquista Cristã, Soure assume um papel de importância estratégica vital. O seu castelo é, até à conquista de Lisboa, uma praça fortificada, incluída na cintura de edificações militares da defesa de Coimbra definitivamente conquistada em 1064, (juntamente com os castelos de Montemor-o-Velho, Penela, Santa Olaia, Germanelo, Miranda do Corvo e Lousã). 


Em 1116 a região sofre uma grande ofensiva muçulmana e a população de Soure incendeia a povoação refugiando-se em Coimbra. Tornou-se local abandonado e antro de feras. 
Nova iniciativa para o seu repovoamento registrou-se quando D. Teresa, já viúva, doou os castelos de Soure, Santa Eulália e Quiaios ao conde Fernão Peres de Trava, por permuta com o de Avô (1122). Nesse período, a defesa dos domínios da Vila Nova de Soure e seu castelo foram confiados a Gonçalo Gonçalves, um fidalgo de Viseu, que se destacaria na conquista de Santarém (1147). 

A 19 de Março de 1128, D. Tereza concede aos Templários o castelo e todas as terras entre Coimbra e Leiria, vindo a constituir estes domínios a 2ª sede da Ordem em Portugal. Este acto foi confirmado no ano seguinte pelo então Infante D. Afonso: 
"(...) esta doação faço, não por mando, ou persuação de alguém, (...) e porque em a vossa Irmandade sou Irmão (...). Eu o Infante D. Afonso com a minha própria mão roboro esta carta." (excerto da carta de doação de Soure por D. Afonso Henriques aos Templários, 1129). 


A acção de expansão da Ordem sofre entretanto um duro revez devido a uma nova contra-ofensiva muçulmana que, em 1144, tomou Soure, matando ou levando prisioneiros para Santarém muitos dos seus habitantes. 
O castelo tinha uma situação estratégica privilegiada, dada a sua posição de ligação entre os castelos e rotas que atravessavam os territórios de Coimbra e Montemor-o-Velho e a sua proximidade com a confluência dos rios Anços e Arunca que lhe servia de fosso natural. 


Com a extinção da Ordem, os domínios de Soure e seu castelo passam para a Ordem de Cristo, através de Bula papal de 14 de Março de 1319, constituindo-se de imediato como cabeça de Comenda. 


Pombal

11 de Agosto de 2010


Quando os Templários portugueses passaram em 1126 pelo pequeno e antigo povoado de Chões, encontraram moradores que mal subsistiam devido ao receio de cultivar os campos em redor; o perigo das correrias dos mouros sediados em Leiria era constante. 

"O castello de leyrea era dos sarraziis, e corriam a terra ataa coimbra. E faziam muyto mal aos christaaos em soyre e em pombal." 

Mais tarde, em 1161, Mestre Gualdim manda construir no alto do outeiro da margem direita do rio Arunca, sobre as ruinas do velho castro lusitano romanizado e fortaleza árabe; o castelo de Pombal, cuja porta principal, virada a sul, vê expandir-se a vila onde se iriam erguer as igrejas de Santa Maria do Castelo, de S. Pedro e mais tarde, a de S. Martinho. 


O Mestre concede foral a Pombal em 1174, renovando-o em 1176. A acrescentar a estes dois forais, concede também, em 1181, uma carta de privilégios. 
Em 1171, 1179 e 1184 suportou investidas muçulmanas e em 1190 na sequência da invasão do califa almóada Almansor, o castelo de Pombal é parcialmente destruído. 
Em todas elas os Templários defenderam Pombal com mestria e valor guerreiros. 




Peñas Rójas

22 de Setembro de 2010


Os domínios de Penas Róias foram doados aos Cavaleiros do Templo em 1145 por Fernão Mendes, tenens da terra de Bragança. O mestre Dom Gualdim Pais manda iniciar a construção do castelo em 1172, aproveitando o existente reduto defensivo que integrava já os velhos torreões de formato circular, típicos de estruturas leonesas na margem direita do rio Côa. Em Maio de 1187, recebe foral. 

Em 1197, El Rei Dom Sancho I em agradecimento pelos serviços prestados pela Ordem do Templo, doa a Vila de Idanha-a-Velha e em troca recebe os castelos e as igrejas de Penas Róias e Mogadouro. A Ordem desloca assim, a sua actuação mais para sul, recebendo os domínios de Idanha-a-Velha e Monsanto, na Beira Baixa. Juntamente com Mogadouro recebe carta de Foral em 1272, renovado a Penas Róias no ano seguinte. Em 1319, face à suspensão da Ordem, Dom Dinis transfere estes domínios para a Ordem de Christo, continuadora do Templo. 



O Languedoc português

8 de Novembro de 2010


Em finais do século XII, D. Sancho I sobe ao trono português, com a idade de 31 anos. Após a conquista de Silves (1189) dedica-se totalmente à administração dos territórios herdados de seu pai D. Afonso I. Começava a obra do povoamento. As Ordens de Cavalaria, já instaladas no reino, tiveram uma importância capital na ajuda prestada ao monarca. Porém, a grande força para tamanha empresa veio dos colonos oriundos do sul de França, fugidos ao holocausto promovido pela igreja romana, a que chamaram "a cruzada contra a heresia Cátara". O vergonhoso genocídio de cristãos contra cristãos. 
Nos princípios de 1199, já havia chegado a Portugal, um vasto grupo de colonos francos, que no dizer do próprio D. Sancho, "tinham vindo povoar a minha terra". 

" isti Franci venerunt populare in terra mea " 

O território da Açafa é doado aos Templários tendo em vista a chegada dessas novas vagas de colonos, oriundos da Occitânia, refugiados da perseguição religiosa. O monarca oferecia-lhes a liberdade de possuirem terras e de as trabalhar. 

" (...) et dent eis ipsum locum cum tanto termino in quo isti Franci et alii qui venturi sunt possint bene vivere et laborare..." 

Os territórios da Açafa, entre Figueiró e o Sever, eram campos ermos, despovoados, incultos: uma terra de ninguém, a não ser de lobos, javalis, veados e outros animais bravios que por lá terão existido em abundância. 
Os Templários foram quem primeiro ali se fixou, nas duas fortalezas que inicialmente ergueram e nas duas Comendas ou Perceptorias que, de seguida, estabeleceram. 

" Nos primeiros anos do século XIII, chegaram os colonos francos, vindos do Languedoc, para povoarem, arrotearem e cultivarem o território. É à sombra das fortalezas dos Cavaleiros do Templo e ao abrigo das suas perceptorias que começam a erguer as suas habitações, fundam os primeiros aglomerados populacionais, a que, prioritariamente, dão os nomes das suas terras distantes. Assim, terão nascido Arez (de Arles), Montalvão (de Montauban), Nisa (de Nice), Tolosa (de Toulouse), e outros, todos nomes de cidades do sul de França, da Occitânia."

Dornes

28 de Março de 2011


Em 1161, O Mestre D. Gualdim Pais reconstrói dos restos de uma atalaia pentagonal de origem romana, uma torre de xisto com cunhais de calcário e o pano de muralha do seu pequeno recinto defensivo. Esta irá fazer parte de um conjunto de pequenas fortificações que constituem uma cintura de vigilância ao longo do curso do rio Zêzere, protegendo tácticamente o castelo de Thomar. Nasce a pequena Comenda de Dornes cuja importância estratégica se torna relevante quando os Templários decifram o significado da inscrição romana lavrada na pedra que mais tarde Mestre Gualdim manda colocar como verga na porta da torre: 


" ... os povos antigos exploraram as minas de minério nobre, particularmente na região de Dornes, usando métodos primitivos. Os romanos deixaram gravada na pedra de armas que encimava a entrada do forte militar, o significado da sua presença ali: proteger a exploração das minas; de ouro (o círculo a cheio representando o sol) e de prata (o círculo vazado representando a lua). Entre estes símbolos, as 'Armas' da guarnição." 


Os Templários facilmente descodificaram a inscrição e mais facilmente deram com as minas abandonadas, retomando a sua exploração, utilizando métodos de extração mais evoluídos e descobrindo novos filões.


" Para nossa surpresa, a terra ofertava-nos ouro puríssimo com a forma de folhas raiadas. A prata, essa encontrávamos na forma de teias de aranha e em rendilhados curiosíssimos. Tudo muito puro que martelávamos e guardávamos em pequenos blocos nas caves do Oratório...". 


Dornes, foi o nome dado ao local, por haver junto ao rio uma pedreira subterrânea de onde se cortavam e retiravam as 'dornas' ou 'moendas' usadas nos moinhos de água. 


Uns anos mais tarde é edificada uma cerca exterior para protecção dos habitantes de Dornes e, no interior do fortim, na praça de Armas, é mandada construir a pequena igreja de Santa Maria das Dornas, várias vezes reconstruída, hoje com o nome de Nossa Senhora das Dores (outrora do Pranto). 


Da primitiva construção restam alguns vestígios, entre eles o brasão de Armas com inscrição referente a D. Frei Gonçalo de Sousa, implantado na fachada principal do templo. 

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Escreve-se hoje que a igreja foi mandada construir em 1285 pela rainha D. Isabel, o que é falso! A igreja primitiva foi obra de D. Gualdim. O templo manteve a sua traça original até à época do Comendador fr. Gonçalo de Sousa. As reconstruções deram-se mais tarde.