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Separando o trigo do joio

10 de Janeiro de 2012


Iniciamos hoje, uma nova etiqueta com o nome "Desmitificar". Desfazer mitos. 
Seremos duros e rigorosos, mesmo sabendo que iremos desiludir alguns. 
Será uma matéria abrangente, por englobar a Ordem do Templo no seu todo histórico e esotérico. E, por isso, não se restringir aos Templários Portugueses.
 
Por ser, de momento "o assunto do dia", têm-nos sido colocadas algumas dúvidas (pertinentes) sobre a ligação da maçonaria aos Templários. Queremos esclarecer esta espécie de mito, realçando em maiúsculas: 

NUNCA A MAÇONARIA TEVE QUALQUER TIPO DE VÍNCULO HISTÓRICO OU RELAÇÃO - POR MAIS REMOTA QUE FOSSE - COM A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS! 

Existem sociedades secretas que se dizem herdeiras dos Templários e que usam abusivamente da sua História e Simbologia. Que fique aqui bem claro que NÃO SÃO TEMPLÁRIOS! Nós, Templários Portugueses, usamos critérios de recrutamento rigorosos, não admitindo no nosso seio elementos que professem militâncias alheias. 
Cada Irmão adere em consciência e de livre vontade à causa e ao Projecto Templário e só a eles se dedica. A nossa Regra e os nossos Estatutos são bem claros quanto a isso.
 
Citando a introdução ao Guia do Templário, "Honor et Fortitudine" : 

"Os Templários foram a mais extraordinária Ordem de Cavalaria da Idade Média.
Muitos tentaram recriá-la e falharam. 
O seu segredo continua guardado pelos que escreveram este Livro. 
E pelos que o souberam ler."

Um sonho dourado

29 de Abril de 2012


O tesouro Templário existente na sede da Ordem em França, à data da conspiração de Filipe IV, era realmente considerável. Na verdade existiam dois tesouros; o que estava confiado à guarda da Ordem e o que era propriedade integral desta. Do primeiro falaremos noutra altura. Vamos focar-nos no segundo; o que era seu património, parte dele trazido de Jerusalém nos primeiros tempos da Ordem e que era mantido em rigoroso segredo.

Muito se tem especulado sobre a natureza desse tesouro. Os pormenores dessa especulação são já, por demais, conhecidos de todos os que se têm debruçado sobre o assunto. A ficção acabou por criar mitos. Certo é que em Outubro de 1307, o ganancioso rei francês vasculha a sede da Ordem e encontra apenas migalhas. Os bens existentes na sede dos Templários tinham desaparecido. Certo é também que a frota Templária baseada no porto de La Rochelle tinha zarpada para nunca mais ser vista. Tinha-se esfumado! 

Em Portugal reinava El-Rei D. Dinis e, pelas crónicas da Ordem, sabemos que recebeu parte dessa frota no porto que erradamente chamam de El-Rey, mas que na época era conhecido por Porto do Bom Salir ou de São Martinho. Sabemos também que de bom grado permitiu que aí fosse descarregada parte da importante carga Templária que foi a guardar em Thomar. Depois ordenou misteriosamente aos Templários Portugueses: 

"Ide, retirai-vos para as vossas ilhas, levai vossos segredos e esperai um sinal meu." 

Quanta cumplicidade implícita nesta declaração! D. Dinis sabia que os Templários utilizavam ilhas que ninguém mais conhecia e ordenou-lhes que se refugiassem nelas por algum tempo até que os episódios de perseguição e as acusações feitas à Ordem do Templo se resolvessem e as coisas acalmassem. A esta altura já vocês perguntam: - Que segredos levavam os Templários, que eram do conhecimento do Rei? Que estratégia estava já delineada na mente do soberano para que os Templários só precisassem de aguardar um sinal seu? Que ilhas eram essas que ninguém mais conhecia?

Podemos dizer-vos que os segredos continuariam ainda por mais algum tempo a ser segredos da Ordem e que grande parte do tesouro guardado em Thomar foi usado para financiar um dos maiores feitos da nação; a Epopeia Marítima  Portuguesa que deu novos mundos ao mundo. Mas isso, já vocês saberão...

Elos quebrados

25 de Junho de 2012


É comum dizer-se que uma vez dissolvida a Ordem do Templo por Clemente V, no século XIV, só o actual Papa a poderia reabilitar. Essa afirmação não passa de uma falácia que convém desmitificar. 

A Ordem do Templo não foi criada pela igreja. Foi aprovada por ela dez anos após ter sido criada oficialmente em 1118 pelos nossos antepassados do Templo. O acto de aprovação em 1128 por parte da igreja, não terá tido para os Templários um significado diferente do reconhecer de uma assinatura num cartório notarial nos nossos dias.

Poder-se-á argumentar que o Papa na altura tomou a Ordem sob a sua protecção e que esta só ao próprio pontífice prestava contas. Jogo de interesses. Que a igreja era o poder absoluto e que sem a aprovação dela os Templários não existiriam como Ordem religiosa... sim, mas a verdade é que na época a igreja não o fez de ânimo leve. Fê-lo porque a tal se viu obrigada. Por motivos que ainda são um segredo Templário.

A Ordem, presentemente e ao contrário do que se diz, não precisaria da bênção da igreja para ressurgir se decidisse fazê-lo. A igreja desistiu dos Templários quando os suspendeu, os entregou para julgamento e deixou que os condenassem à tortura e ao martírio nas fogueiras. E nem por isso os Templários se esfumaram no tempo...

Valores supremos

11 de Setembro de 2012


O vasto "tesouro dos Templários" era composto na sua grande parte por valores confiados à sua guarda e pertencentes a instituições e particulares. Esse espólio não era património dos Templários. É desonesto afirmar o contrário. 
 
Quando a Ordem foi suspensa e os seus elementos perseguidos em França, a maior parte do tesouro foi embarcado na frota Templária e mantido longe do alcance do ganancioso rei francês. Aos poucos e em segredo, muitos desses valores foram restituídos aos seus proprietários legais (conforme documentação em nossa posse o prova), a partir do reino de Portugal, onde ficou depositado.

Os Cavaleiros do Templo apesar de perseguidos e vilipendiados mantiveram o seu bem supremo: a Honra.

O verdadeiro Templário

2 de Novembro de 2012


                                    Na realidade que nos assola
                                    Os bons têm medo e são fracos. 
                                    Os maus usam o terror como arma. 

                                    Os monges guerreiros são a linha que divide os dois. 
                                    A uns tentam aliviar o inferno da vida. 
                                    Aos outros farão sempre a vida num inferno. 

                                    Para os que nos procuram conhecer, 
                                    Estes somos nós. Os verdadeiros Templários.

Invenções tardias

5 de Fevereiro de 2013




A tendência para mistificar os Cavaleiros Templários levou a que, ao longo do tempo, se criassem autênticas fraudes históricas. O selo do Mestre Geral da Ordem, Pedro de Montagudo, não apresenta dois cavaleiros na mesma montada mas sim lado a lado. O segundo cavalo não foi incluído, para simplificar o desenho. 

É este o verdadeiro símbolo. 

Nenhum Templário se deslocava sozinho a pé ou a cavalo, quando no exterior da respectiva Comenda. Andava sempre acompanhado de um Irmão por razões que a Regra de Cavalaria especifica. Contudo, nunca foi norma andarem dois cavaleiros num mesmo cavalo. 
 
Como a Regra de Cavalaria Templária nunca foi do conhecimento público, inventaram (principalmente a partir do século XVIII) a história dos dois cavaleiros na mesma montada e deram-lhe todo o tipo de interpretações esotéricas. Atribuíram-na inclusive aos selos de outros Mestres Gerais, falsificando-os. Uma das explicações mais comuns que hoje lhe dão é a de que, como os Templários foram conhecidos por "pobres Cavaleiros de Cristo", eram obrigados a andar dois numa só montada, por falta de cavalos. Nada mais falso. A verdade é que o Cavaleiro Templário tinha normalmente à sua disposição nunca menos de três montadas. 
 
O selo do Mestre nada tem, assim, de esotérico. 
Também é uma verdade, que a simbologia oculta dos Templários, era e é, precisamente isso: OCULTA.

Procurai sempre a Verdade

15 de Fevereiro de 2013


"...os Templários tiveram sempre como projecto secreto, tentar unir as três religiões principais numa fraternidade universal. Os Capelães Templários nunca tiveram por missão evangelizar. O seu apoio espiritual aos Irmãos sempre foi interno. Do foro privado. 
 
Na Ordem, exercem Capelães cristãos, islâmicos e judaicos. Cada um assiste os Irmãos na respectiva fé. Na sua actividade geral não fazem distinções dentro da Irmandade, participando cada um deles nos cerimoniais da Ordem, individualmente ou em conjunto, indiferentemente do culto e credo de cada um. Comungando os ideais da Ordem, as suas crenças religiosas são colocadas em segundo plano. 
 
Os Templários nunca proclamam a sua religião tanto no seio da Irmandade como no exterior da mesma, para não colidir com as crenças de cada um. 
Cumpre-se assim uma das Regras de ouro do Templo: a Tolerância religiosa." 

Este procedimento já vem de há muitos séculos e continua a ser usado pelos Templários Portugueses. Não é verdade, portanto, que a Ordem seja de inspiração exclusivamente cristã. Não foi no passado, não o é hoje e nunca será de obediência católica. Por isso, quando procurais identificar a verdadeira Ordem, lembrai-vos disto: O Cavaleiro Templário nunca proclama publicamente a religião que professa. A fé é do foro privado e íntimo de cada um, cabendo a todos respeitá-la.

No entanto, o elemento unificador no Projecto baseia-se na ancestral sabedoria dos nossos antepassados, que conheciam o poder do Bom Espírito (comum a todos os credos) e da força que, uma vez nele concentrada, poderá irradiar à sua volta, como um intenso ponto luz. Não é por acaso que os nossos Templos são redondos.

O verdadeiro Templário combate somente pela Paz e pela Justiça!
 

Simplicidade

5 de Julho de 2013


                            Já os velhos Sábios usavam dizer
                            Na Simplicidade que lhes era vulgar
                            Que o Homem para sobreviver
                            Precisava só de Terra, Fogo, Água e Ar.

                            Mais tarde vieram uns "iluminados"
                            Querendo a todos a Simplicidade ocultar
                            Escreveram dela imensos tratados
                            Dizendo-se donos de segredo milenar.

                            E tudo o que era Simples eles ocultaram
                            Querendo desses "segredos" riqueza ganhar
                            Ocultistas, filósofos, alquimistas se tornaram
                            Deixando a Verdade mais difícil de alcançar.

                            Mas a Verdade está ali mesmo à mão
                            Daquele que a Simplicidade sabe usar
                            Bastando para tanto abrir-se de coração
                            E ser sempre, sempre livre de pensar…

A "caça" ao Javali

30 de Janeiro de 2014


Os antigos símbolos Templários que existiam nos nossos templos e monumentos foram, com o tempo e na sua quase totalidade, intencionalmente destruídos e apagados da História. Esta simbologia era profundamente hermética pelo que, quem a observava e não estava por dentro do seu real significado, fazia dela uma interpretação errada, entendendo-a como figuração de um mundo material e quotidiano. Em consequência disto, o mundo ficou até aos dias de hoje na sua completa ignorância por falta de testemunhos escritos que descodifiquem e expliquem os símbolos que sobreviveram. 

É o caso da caça ao javali que aparece representada em várias igrejas, desde as chamadas "românicas", de construção mais antiga, até às mais recentes. Nada de novo, dirão. De acordo. No entanto, perguntamos nós: 
- Porquê então a sua representação nos templos religiosos? 
Uma vez que a Ordem do Templo tem nos seus arquivos guardada a "chave" para a leitura dessa simbologia hermética, vamos levantar aqui um pouquinho do véu. 

Como temos vindo a publicar desde o início do nosso blog, os Templários Portugueses herdaram em Portugal não só bens materiais mas também (e principalmente) a tradição ancestral dos antigos povos que habitaram este nosso território Sagrado. 
Quando o cristianismo aqui chegou, vindo do longínquo Oriente, trouxe consigo ideias e costumes que inevitavelmente colidiram com a cultura local. A igreja de então, à sombra da 'águia romana', impôs a sua religião. Teve, no entanto, alguma dificuldade em apagar a memória das "divindades" ditas pagãs, fortemente enraizadas na cultura dos povos locais e, não o conseguindo fazer, acabou adaptando-as ao cristianismo, moldando-as. No que respeita às tradições ancestrais do nosso povo, a igreja nunca desistiu de as apagar, banindo-as da memória do tempo. Como se sabe o javali é desde a antiguidade o símbolo da força, coragem e determinação do povo Lusitano. Do seu amor pela liberdade. A "caça ao Javali", representada nos templos cristãos, não significa outra coisa senão as reminiscências dessa memória, plasmada na denúncia velada da perseguição e consequente aniquilamento dessa tradição ancestral, perpetrado pela igreja católica romana. A caça aos valores da velha cultura lusitana e a sua consequente destruição. 

Felizmente, os Templários são até aos dias de hoje, os Guardiões desse saber e tradição que será transmitido no devido tempo às gerações futuras. 
 
"Clausa Signum", vol.III 
(arquivos da ORCATEMPO)

A sombra do Cavaleiro

16 de Junho de 2016



Há algum tempo que procuro um velho amigo. Sempre soube que costuma recolher-se em determinados lugares sagrados da Ordem. Por isso procurei-o em todos os templos dedicados a Maria. Encontrei-o recentemente, contemplando em silêncio a imagem de São Miguel dominando o dragão. Sentei-me em silêncio ao seu lado e saudei-o. 

- Estás bem? Há quanto tempo Irmão... 
- Há demasiado tempo... como deste comigo? 
- Sempre tive a esperança de um dia te encontrar numa das Casas de Maria. 
- Também o são de João e de Miguel, não te esqueças. Como estão os outros Irmãos? 
- Reunimos regularmente. Todos sentem a tua falta. 

Deixou-se ficar em silêncio, pensativo. Depois baixando a cabeça acrescentou baixinho... 

- Sabes que sempre fui contra a decisão de nos expormos. Há muita coisa que nunca será entendida fora do círculo interno. Muito menos o será no exterior da Ordem. Queres um exemplo? Olha para a figura de Miguel ali representado a matar o dragão. O dragão que sempre caminhou fielmente ao seu lado e que é afinal a sua própria sombra. Como tiveram a coragem de adulterar tal simbolismo? 
- É preciso dar a conhecer esta e outras verdades também aos Irmãos que estão lá fora. Temos o dever de lhes contar a verdade... 
- A verdade? E quem está hoje interessado na nossa Verdade? Todos procuram a verdade, mas a deles. A que lhes convém. Aquela que mais se ajusta aos seus interesses. Como lhes vais contar a verdade de Miguel? A de Maria e a de João? A da própria Ordem? Alguém te dará ouvidos e entenderá essa Verdade? Olha para todas estas figuras aqui representadas. Tu e eu sabemos quem realmente são. Tenta revelar a verdade e serás no mínimo ridicularizado e tomado por louco. 
- Alguém irá ouvir-nos. Tenhamos essa esperança. 

Meneando a cabeça ligeiramente levantou-se, devagar, colocando a mão paternalmente no meu ombro. 

- Pode ser que sim. Isso seria sem dúvida um verdadeiro milagre... O nosso mundo está a desaparecer, Irmão. Estão a perder-se os valores fundamentais pelos quais tanto lutámos e a que já ninguém liga. Sabes, sinto-me cansado. Mas tal como tu não vou desistir, se é isso que estás a pensar. Estarei sempre contigo, com todos vós, e com todos eles. 
Agora deixa-me ir ...até à próxima, Irmão. 

E afastou-se com um visível pesar. 
Irmão, companheiro, Cavaleiro acompanhado da sua fiel sombra que, num último vislumbre, me pareceu tomar a forma volátil de um dragão. 

Até à próxima Miguel...