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Inevitável

21 de Setembro de 2009 



"Penetrámos a grande meretriz e deixámos-lhe a semente da sua destruição."

Nos teus olhos

21 de Setembro de 2009


                                                    Fixei os olhos do inimigo 
                                                    Não vi ódio, só resignação 
 
                                                    Quebrou-se o ímpeto assassino 
                                                    Tornou-se pesada a espada 
 
                                                    Cravei a lâmina no chão.

Na demanda

24 de Setembro de 2009



                                                Por um instante fechei os olhos 
                                                e escutei o vento... 

                                                Matei a minha sede na frescura da fonte. 
                                                 
                                                No reflexo cristalino da sua água 
                                                vi reflectida a Deusa prateada. 

                                                Em êxtase, soltei o espírito. 

                                                Saciado, encarei o caminho 
                                                e iniciei a viagem. 

                                                Por um instante fechei os olhos...
                                                e contemplei o universo.

Contigo

12 de Outubro de 2009 




                                    Aqui estou de pé,
                                    no lugar onde ainda me podem ver. 

                                    Nascida da fé
                                    daqueles que já a perderam.                                      

                                    Do tempo em que o Tempo
                                    me não comia as pedras.  

                                    Destinada a morrer esquecida
                                    pelos que de mim, se deveriam lembrar.

                                    Mas tu passaste aqui, Cavaleiro.
                                    O teu espírito afagou-me.                                      

                                    A tua alma abraçou-me.
                                    Imortalizaste-me no teu espaço, no teu tempo.  

                                    Já posso ruir em paz...
                                    Já podes, Tempo, minhas pedras comer.  

                                    Parto contigo, Cavaleiro,
                                    para o teu castelo de memórias.


Pequeno livro

29 de Outubro de 2009









Pequeno Livro, companheiro
onde escondo os meus pensamentos
por favor sê gentil comigo
guarda este meu segredo.

Confio-te a minha memória
vertida nas tuas pequenas páginas
por estas mãos já trémulas
e sem a força de outrora.

Pequeno Livro peço-te
por favor sobrevive!
Livra-te das chamas
dos que usam a intolerância como arma.

Terás de aqui estar
já muito depois de mim
muito depois dos meus ossos
se transformarem em pó.

Irás transmitir a alguém
o que a humanidade busca
desde o fundo dos tempos;
o Tesouro cobiçado.

A força titânica que move o Universo
O Segredo da Natureza
prisioneiro nas tuas páginas,
meu pequeno Livro.

A simplicidade das coisas
na liberdade dos Espíritos.


(legado de um velho Templário)


Um anjo no gueto

23 de Março de 2010



Irena Sendler nasceu a 15 de Fevereiro de 1910 na Polónia e faleceu recentemente com a bonita idade de 98 anos. Durante a 2ª Guerra Mundial, conseguiu uma autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia, como especialista em canalizações. Quando saía do gueto, trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas. Costumava levar na parte de trás da camioneta, um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados nazis, abafando assim qualquer ruído que as crianças pudessem fazer. 
Salvou cerca de 2.500 
Por fim os nazis apanharam-na, prenderam-na e torturaram-na. 
Partiram-lhe os pés e ambas as pernas. 
Condenada à morte, foi por sua vez salva por um oficial alemão. 
Irena mantinha um registo com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, que guardava num frasco de vidro enterrado debaixo de uma árvore no seu jardim. 
Terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido e reunir a familia. 
A maioria tinha sido levada para as camaras de gás. 
Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adoptivos. 
Costumava dizer: 

"A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade." 


De joelho no chão te saudamos, Irena! 

Não importa se eras polaca, alemã, judia ou portuguesa. 
Terás sempre um lugar de honra no Templo. 
E outro, muito especial, no coração dos Templários Portugueses. 

_______________________________________ 
Foi proposta para receber o Prémio Nobel da Paz. 
Não foi sequer seleccionada. O prémio foi atribuído a Al Gore por apresentar uns diapositivos sobre o Aquecimento Global. (!)

Velar armas

26 de Abril de 2010 




                            Neste novo Amor ... morres.
                            O teu Caminho começa do outro lado...
                            Junta-te aos Céus !

                            Derruba os muros da tua prisão...
                            Escapa-te!

                            Caminha, como se de repente
                            do cinzento nascesses a cores...
                            Fá-lo agora!

                            Sobre ti pairam
                            espessas nuvens...
                            Afasta-te delas!

                            Morres... ficas quieto.
                            A quietude é sinal seguro da tua morte.
                            Toda a vida que deixas
                            foi uma frenética fuga
                            ...ao Silêncio.

                            Para ti
                            a silenciosa Lua Cheia,
                            acaba de nascer...


Jelaluddin Rumi 
( poema Sufi )

Ponto de Luz

2 de Junho de 2010 


"Irmão, se procuras a verdade, deves partir destes princípios: 

- Ninguém sabe como e quando a terra nasceu; é algo que estará sempre para além da razão pois não há testemunho. 

- Ninguém saberá jamais como a humanidade surgiu nela; é um segredo que o tempo apagou para sempre da memória colectiva. 

- Existe um mistério a que chamam Deus. Nunca alguém conseguiu defini-lo. Apenas a vaidade humana o faz à sua própria imagem. 

- Nunca se conseguiu provar que o deslumbramento humano resulte de inspiração divina. Resultará mais de egos inflados. 

- Os verdadeiros sábios são os que conhecem os segredos da natureza; não os que conhecem as fraquezas humanas. 

- Os vencedores nunca contam a verdade sobre os vencidos; os sanguinários são sempre os outros. 

- Só se vive uma vez; é a derradeira oportunidade de deixar-mos em terreno fértil, a semente do bem. 

- Nunca alguém regressou da morte física; só se é eterno na memória dos vivos. 

- Só se é verdadeiro Cavaleiro quando se cavalga livremente nas asas do vento." 


(excerto de 'Iniciação')

. (ponto) 4

27 de Outubro de 2010


Existem dois tipos de investigadores que costumam abordar a temática Templária: O tipo tendencioso, supérfluo, que procura criar à sua volta uma aura de sensacionalismo mítico e bacoco, com o intuito mais ou menos velado de se juntar aos famosos, inflados do mais completo vazio, mestres da futilidade. 

Não passam de mais do mesmo; ou seja, coloridos papagaios que repetem até à exaustão as milhentas asneiras literárias daqueles que, na sua douta posição de donos da História, as vêm impingindo do alto do seu pedestal e da sua incontestável autoridade. Arautos das verdades absolutas, que de absoluto só têm a sua imensa ambiguidade. Gente que baseia as suas teorias em esoterismos esquizofrénicos e em documentos históricos de autenticidade duvidosa. Gente que manipula pretensas provas irrefutáveis ao sabor das suas conveniências pessoais ou, são eles mesmos, manipulados por forças obscuras com interesses inconfessáveis. Gente que se deleita em trazer na sua esteira de enganos, todo um exército de templários de fim-de-semana, que veem em cada pedra um mistério, em cada buraco o ouro Templário. O tesouro do Templo era o seu conhecimento, a sua disciplina, a sua dedicação ao empreendedorismo e ao criterioso aproveitamento dos recursos da terra. Esse era o seu verdadeiro Tesouro. 

O outro tipo de investigador, caracteriza-se pelo cuidado na abordagem histórica, procurando as fontes não só na História oficial (que filtra criteriosamente) mas também através de um dedicado trabalho de campo. Executa uma minuciosa pesquisa local e procura as indeléveis pistas que o conduzem aos vestígios sobreviventes. Procura na tradição popular que tantas vezes encerra a 'chave' para o sucesso da investigação. E é nessa busca dedicada e incansável que, de vez em quando, tropeça em tesouros guardados durante séculos por gerações de gentes que, perante a total indiferença dos outros, se veem por vezes, num verdadeiro beco sem saída por não acharem a quem os transmitir. Espólios que de outra forma se perderiam para sempre, são assim resgatados, fruto de autênticas demandas pessoais. Daí acontecer, como que por milagre, o surgimento de notícias preciosas sobre os pertences de determinado cavaleiro Templário, sepultado há séculos em propriedade de família rústica, que se dispõe a doá-los a determinada Ordem discreta, ou de colecções de pergaminhos importantes, há muito esquecidos, que preenchem muitas das lacunas históricas, revelando segredos e memórias desconhecidas de Comendas Templárias. Quer o destino que, merecedora dessas doações, a Ordem se constitua fiel depositária desses espólios. 

Que continuem sob sua protecção. Até ao momento da sua transmissão. 

__________________________ 
Eterna gratidão aos nossos amigos da Açafa. Fiéis guardiões da memória material e espiritual dos irmãos Templários.

GRAAL - Cálice de Vida

30 de Novembro de 2010


Tu que buscas o Graal, diz-me: 

Se Ele não está mais visível, sabem os teus olhos o que procurar? Se o Selo foi quebrado e o Elo Sagrado se perdeu, porque continuas tu a sentir o seu pulsar? 

Diz-te a vaidade, que é um cálice de ouro. 
Pois bem, que seja de ouro o teu cálice. 

De todas as areias da Terra, recolhe os finíssimos grãos de ouro. Junta-os, até teres as três partes necessárias. Com o Fogo Eterno molda-o no mater cadinho. 

Das brumas do tempo, recolhe as gotas de orvalho depositadas, nas pétalas rubras da Rosa, pelo Ar frio da ancestral madrugada. Verte-as no Cálice, pois são as restantes sete partes. 

Da Água dos grandes oceanos, retira uma pequena pitada do Sal da Vida. Dissolve-o no teu Cálice, como um sopro Divino. Com Ele, o seu conteúdo ganhará a Ânima necessária. 

Agora que já consegues "ver" o teu cálice, abeira-te Dele. "Olha" bem para o que contém. Se os teus olhos ficam confusos e ainda tens dúvidas, continua a tua demanda. Estás quase a descobrir-te. 

Se o teu coração consegue ver-se no reflexo, então Irmão, não procures mais; Existe toda a probabilidade de, o Graal que tanto procuras, afinal, seres TU !

D. Sebastião, o Enganado

20 de Janeiro de 2011


Comemoramos hoje, Senhor, a data do vosso nascimento. A da vossa morte nunca a comemoraremos pois continuais vivo no nosso coração. Nas nossas almas. 

Quisésteis ressuscitar a velha Ordem e isso custou-vos a vida e o bom nome. Apelidaram-vos de ingénuo e aventureiro inconsciente, mas nós sabemos que não foi assim. Sabemos quem vos enganou. Quem vos abandonou. . Quem ajudou a destruir a flor do vosso exército. Só vós não vos apercebestes que junto com o exército marchava a besta que vos iria trair. 

Um dia a verdade será reposta.

As sandálias do Mestre

12 de Fevereiroo de 2011


                                Muitos querem calçar as sandálias do Mestre.
                                Todos são livres de usar sandálias.
                                As do Mestre só ele as calça.
                                O caminho por ele percorrido é pessoal, único.

                                Se queres seguir o Mestre, calça as tuas próprias sandálias.
                                Sincroniza os teus passos com os dele.
                                Mas nunca, nunca pises as suas marcas.
                                Aprende a sentir o chão virgem sob os teus pés.

                                Imprime as tuas próprias pegadas.
                                Um dia, outros segui-las-ão.

(excerto de 'Iniciação')

Peregrinações

20 de Março de 2011


Regressavam ambos da Terra Santa mas só se conheceram no Mosteiro de Poblet, perto de Barcelona, quando ali se recolheram. A partir daí encetaram o caminho juntos. Ambos peregrinos com um destino comum; Compostela. Natural de La Robla, Martim Sanchez tornara-se frade beneditino em Jerusalém. João Galego nascera em Tui e fizera-se Cavaleiro Templário na Comenda de Braga. Agora, com 38 e 42 anos respectivamente, estavam de volta a casa. Sabiam que nunca mais veriam a Cidade Santa. 

Castelo Templário de Ponferrada, 18 de Julho de 1187. Os dois companheiros enquanto descansam da longa jornada, conversam: 

- Irmão Martim, antes que nos separemos quero dizer-te o quanto me foi agradável a tua companhia. 
- Tem sido um privilégio, João Galego. Ter-te conhecido neste caminho de peregrinos foi certamente vontade de Deus Nosso Senhor. Do muito que caminhámos, de tudo o que conversámos deixa-me de ti uma boa imagem; a de um bom homem. 
- Pois de ti, Martim, fica a certeza de seres um bom cristão. 
- Tento ser, Irmão. Depois de ter estado na Cidade Santa de Jerusalém e de ter servido a Cristo só me falta concretizar esta demanda. Se neste momento tivesse de escolher entre ver a minha velha mãe pela última vez e visitar este lugar santo, escolheria ir primeiro a Santiago. A fé é algo muito forte, João. Se quiseres podemos entrar juntos na Catedral. Que dizes? 
- Alegra-me o teu entusiasmo, Martim - replica o Cavaleiro Templário. Obrigado mas os nossos caminhos separam-se aqui, em Ponferrada. 
- Porque dizes isso, Irmão? - pergunta o frade, um tanto confuso. Porventura não temos ambos por destino Santiago de Compostela? 
- Sim Irmão Martim, mas primeiro vou cumprir a promessa que me trouxe de volta: Voltar a ver a minha velha mãe."

A noite mais curta

23 de Junho de 2011


Hoje, dedicamos a noite mais curta à memória de todos 
os que velaram armas antes das batalhas. 

Aos que nelas pereceram e aos que delas se lembraram 
até ao fim dos seus dias.

Tão longe e tão perto

24 de Julho de 2011


Todos nós devemos fazer uma peregrinação na vida. 
E fazê-lo quando nos apercebemos que a vida já é, em si, uma peregrinação. Porque todos somos à partida, desde que nascemos, peregrinos. 

Quando sentimos a chamada (a "chama"), sabemos que é chegado o momento. Escolhemos um lugar sagrado como destino, metemos o saco às costas e os pés ao caminho. Caminho longo. Centenas de quilómetros. Por vezes milhares. E nesse caminho, procuramos algo que nos enriqueça espiritualmente. Que nos preencha a alma à chegada. Que nos traga alguma Paz interior. 

Mas quando chegamos, sentimos muitas das vezes... um vazio. A falta de algo. Como se ainda faltasse dar um derradeiro passo. 
E é quando compreendemos que toda a caminhada serviu apenas... para nos conduzir à porta do verdadeiro Templo. 
E o passo é tão pequeno. Tão simples de dar. Então viramo-nos para nós próprios... e entramos. 

____________________________________

de todos os que deram o pequeno grande passo e se tornaram 

TEMPLÁRIOS PORTUGUESES

Acreditar

28 de Julho de 2011


                                    Dizem os sábios que tu, vento,
                                    és apenas ar em movimento.
                                    Mas eu sei que és mais...
                                    muito mais...

                                    Tento ver-te e não consigo
                                    mas sei que existes
                                    porque te sinto...

                                    Porque me trazes, na Primavera,
                                    o doce aroma das flores de Maio
                                    desprendido por ti, suavemente,
                                    das varandas suspensas do palácio...

                                    Porque no calor do Verão,
                                    após o inferno da batalha,
                                    despida a cota de malha,
                                    sinto a frescura da tua brisa ...

                                    Porque nas calmas tardes de Outono,
                                    fazes dançar as folhas das árvores
                                    num doce murmúrio de encantar,
                                    dando a mão aos ocres do ocaso...

                                    ... porque este Inverno, vento,
                                    sopraste forte no meu telhado
                                    numa tentativa desesperada
                                    de me chamares a atenção

                                    ...eu sei que existes, irmão,
                                    entraste esta noite, de mansinho,
                                    fazendo dançar levemente
                                    as cortinas do meu quarto...

                                    quando os meus olhos
                                    finalmente se fecharam,
                                    eu vi-te... tal como és

                                    Bateste as tuas asas
                                    e levaste-me contigo...


Poema árabe, séc. XII 
" Presas de guerra "  
(1ª tomada de Silves) 

Escrito na água

20 de Agosto de 2011

Efeito luminoso projectado na água através de
letras recortadas num banco de metal - Silves 

 

                                Tira as sandálias e ascende altivo
                                acima das estrelas cintilantes!
                                Une-te à Verdade!
                                Quem as desprezou
                                ficou chorando por todas as coisas.
                                O olhar do mais firme
                                - tal como o céu -
                                convoca a beatitude da verdade clara.
                                Descalça as sandálias sinceramente,
                                desde os umbrais do esplendor.
                                Une-te ao Ser!
                                Vale-te mais essa união
                                que todas as provas da Razão.
                                Quem viu o que eu gritei à multidão
                                acerca da realidade da união
                                tem de deixar o mundo da dualidade
                                que são duas sombras sob o sol.
                                O espírito venceu a dôr ao aproximar-se do distante.
                                Ò mãe dos meus irmãos!
                                O Amado é o meu lado!
                                Ò povo! se a paixão me der a morte
                                toma o meu amor, como vingança,
                                e vinga-me!


Ibn Qasî

O legado

30 de Agosto de 2011


                                    O País que tendes custou o sangue de todos nós.
                                    Daríamos novamente a vida, se tal fosse possível,
                                    por vós, povo da Luz muitas vezes abençoado.

                                    Cristãos, Árabes, velhos Lusitanos.

                                    Damo-vos, assim, o que nos resta de sagrado
                                    impregnado na memória destas pedras:
                                    o eternamente dedicado Espírito Templário.

                                    Que ele reviva em cada um de vós...

Este é o nosso legado!

Flores do deserto

12 de Setembro de 2011


Que a tua viagem seja longa. 
Que o teu caminho seja de descoberta. 
Não tenhas pressa de chegar à verdade. 
A procura é bem mais interessante...

O visível e o invisível

3 de Outubro de 2011


Os quatro Irmãos da Ordem cruzaram-se no passeio da rua com uma menina que não teria mais de quatro ou cinco anos de idade. Vinha compenetrada nos seus pensamentos e, mal reparou neles parou esboçando-lhes um sorriso lindíssimo... 

"Ao cruzar-se connosco saudou-nos educada e firmente:
- Boa tarde! 
Um pouco surpreendidos e meio atrapalhados respondemos-lhe quase que automaticamente também:
- Boa tarde! 
Só no momento seguinte reparámos, que havia algo de singular naquele quadro. Os miúdos hoje em dia já não são assim. 
Aproveitando o momento e antes que a magia se desvanecesse, baixei-me e ficando à mesma altura da pequenita, meti conversa: 
 
- Olá, como te chamas? 
- Joana! 
- És muito simpática! Quem te educou tão bem assim? 
- Os meus pais e a minha professora! 
- Diz-me Joana, e cumprimentas assim toda a gente que encontras? 
- Só os meus familiares, as pessoas conhecidas e os Anjos-da-Guarda! 
Notei algo nos olhos daquela pequenita que me começou a inquietar. Algo de familiar que não consegui entender logo. Sem resistir ao impulso, perguntei-lhe: 
- E a qual deles acabas de dar as boas tardes, Joaninha? 
- Aos Anjos-da-Guarda! 
...Assim... Sem hesitações! 
Olhei-a nos olhos com ternura e naquele vasto universo, espelho da alma humana, só vi amor. E muita alegria. 
Sem tirar os seus olhitos dos meus e esboçando novamente aquele sorriso puro e inocente, acrescentou baixinho em tom de confidência: 
- Eu sabia que vocês existiam... 
Aturdido e sem perceber logo o sentido do que acabara de ouvir, levantei-me, e com um sorriso possível, dexei-a ir. 
Adivinhando o meu embaraço, a pequenita voltou-se para trás com um ar sério mas fingido e apontando para nós o dedito arrematou: 
- Esqueceram-se de esconder as asas..”