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Simbiose eterna

14 de Setembro de 2009
 
 
Que a luz e o calor do irmão sol ilumine e conforte o espírito e a memória dos nossos antepassados neste momento sublime.


"...daqui, da terra da Luz que ainda há, planando na suave brisa, contemplo o fogo sagrado entregando-se lentamente às águas da sagrada memória."

Trono Atlante

14 de Setembro de 2009


"...foste terra opulenta, verdadeiro jardim de luz. O teu ar Atlântico era o mais puro que podíamos respirar. Não havia lugar igual. Mas a mãe natureza reclamou-te. O fogo das suas entranhas consumiu-te. Depois a água sepultou-te.
No entanto sobrevivemos-te.
Agora resta-nos sentar e contemplar a tua memória."

Terra, Ar, Fogo e Água. Os quatro elementos naturais que selaram teu destino. O destino dos Lusitanos. Os filhos da Luz.
Por isso te escolhemos como símbolo de Paz, Espírito, Sacrifício e Comunhão.



Chamamento

25 de Setembro de 2009

Ritual de presenciar o pôr-do-Sol no Cabo de S. Vicente, em Sagres 


Que força estranha é esta que me arrebata a vontade e me atrai aos confins da terra? 

Porquê este sentimento de profunda calma às portas do oceano? Esta sensação de estar em casa? De abraçar o sol e mergulhar com ele na raiz da memória? 

... deixa-me olhar o infinito. Respirar esta leve brisa do passado.

Diálogos na noite

5 de Dezembro de 2009


"- As-salamu alaikum, mestre Gualdim. 
- A paz esteja contigo também, Ahmed. 
- Entre nós haverá sempre paz, mestre. Assim está escrito nas estrelas. 
- Já poucos homens olham as estrelas, irmão. 

(Ahmed, olhando para o céu...)

- Ah! Está sem dúvida uma linda noite, mestre. 
- Diz-me irmão, os teus antepassados também contemplavam as estrelas? 
- Como num espelho. 
- Como assim!? 
- Sou descendente de tribos ancestrais que habitaram as terras altas do Atlas. Os Imouharen, que significa: os livres. Também conhecidos por guerreiros azuis por usarem o tagelmust, o véu azul. 
- Descendes então do velho povo a que o vulgo chama 'tuaregue'? 
- Sim mestre. Contam os antigos que em tempos muito remotos o meu povo atravessava de África para a Península a vau, através das grandes cascatas, ainda antes do grande oceano engolir as terras médias e vinham até aqui. Muitos ficaram por cá. 
- Então o sangue dos que falam tamasheq anda por aqui, misturado, desde o fundo dos tempos? 
- Assim parece. O meu povo costumava tatuar as estrelas no peito. Diziam que cada uma delas representava um amigo que ficava deste lado. E como as observavam de lá, imaginavam-nas como que reflectidas num espelho para os que as olhavam no céu, daqui. 
- Interessante o que me contas, Ahmed. Não te atraem as tuas raízes? 
- Nasci nesta terra, mestre. Nunca conheci outra. Como a poderia trocar? Amo cada gota de água destas fontes, cada recanto destes bosques, cada pedra... 
- Nenhuma será tocada, prometo-te. 
- Entrego-te o castelo esta noite, mestre. De manhã, pelo raiar do sol já todos teremos partido. 
- Calma Ahmed. O meu Rei e senhor pede-vos que fiqueis. Nada vos será tirado. As vossas casas, as vossas terras, a vossa fé. Este é o seu desejo e o meu também. Do fundo do coração. 
- Grande alegria me dás irmão. Se é esse o teu desejo e o do teu Rei e senhor, aceito comovido em nome dos meus. Alá é grande! 

(Olhando ambos para o céu...)

- É impressão minha ou esta noite as estrelas estão mais brilhantes? Que te parece alcaide? 
- A mim parece-me Mestre, que andam por lá a escrever algo de belo…"

(diálogo ficcionado)

Balada de um soldado Templário

31 de Dezembro de 2009




                                     Mestre, esta noite nas muralhas
                                     entre ferros e bombarda
                                     vi um inimigo correr
                                     a noite estava cerrada
                                     Brandi forte minha espada
                                     e enquanto o retalhava
                                     um clarão iluminou
                                     o rosto do que eu matava
                                     Dei com ele a fixar-me
                                     com seus olhos já sem vida

                                     Mestre, sabeis quem matei?
                                     Aquele soldado inimigo
                                     era meu amigo Qusay

                                     Companheiro em criança
                                     com quem tanto eu brinquei
                                     aos soldados e fossados
                                     Hoje a luta foi real
                                     meu amigo já se enterra

                                     Mestre, eu quero morrer
                                     estou farto desta guerra
                                     Se voltar a escrever-vos
                                     talvez o faça do céu
                                     onde encontrarei Qusay
                                     e brincaremos de novo
                                     aos soldados e fossados ...

                                     Mestre, esta noite nas muralhas
                                     sabeis quem eu matei?
                                     Aquele soldado inimigo?
                                     era meu amigo Qusay…

(adaptado do original) 

A terra de Saurio

19 de Março de 2010 



A morte passou por aqui esta noite.
Levou muitos irmãos nas suas garras. 

Esta terra de Saurio tem sido uma pesada cruz. 
Estas gentes dificilmente se conseguem manter. O difícil acto de a desbravar tem-nos custado bastante suor, muito sangue e não poucas lágrimas. Tem sido sempre assim. Dão-nos terra de feras; imensa ruína que exige de nós esforço imenso na recuperação e difícil defesa. 

Aqui estamos, suportando todas as adversidades. 
Deixados à deriva do destino. Perdidos no tempo. Pelejando.... 
Repelindo até à exaustão os intermináveis ataques dos filhos de mafona. 

Já somos poucos. 
Não conseguiremos manter o reduto. 
Pobres cavaleiros do Templo. 
Pobres até na sorte. 
Apenas nos mantemos unidos na força do espírito. 
Como irmãos, lutaremos até ao fim... 

Ó Céus, encomendo-vos a minha alma ! 

______________________________________________ 
No dia 8 de Julho de 1144 o castelo de Soure caiu sob a brutal investida sarracena. 
Poucos foram os Templários que sobreviveram. 
Os seus habitantes foram quase todos mortos e os sobreviventes levados cativos para Santarém. A Vila foi arrasada e o castelo incendiado.

Intolerância; o verdadeiro inimigo

12 de Abril de 2010 


A luta mais dura é a que travamos com nós próprios.
A mais doce conquista é fazer do inimigo, um amigo para a vida. 



"De visita ao Santo Sepulcro e integrando o nosso grupo de Templários, vinha Samir, um velho amigo. Muçulmano, devoto do islão, pedira-nos um canto discreto do templo para orar em paz. Estendeu o seu pequeno tapete e, virando-se para Meca, ajoelhou-se e inclinou-se em oração. Mas a intolerância rondava o espaço sagrado do Templo. Um cruzado recém chegado, de modos rudes, dirigiu-se de imediato ao nosso amigo e gritando-lhe disse: 

- “Não é nessa direcção que os cristãos fazem as suas orações!” 

E com violência fê-lo mudar de posição. Não fora a nossa pronta intervenção e este cruzado imbecil continuaria a exceder-se contra o pacífico árabe. 

- “Desculpa, Samir. É um cruzado acabado de chegar à Terra Santa e desconhece a tolerância religiosa que caracteriza a cidade de Jerusalém.” 

O nosso amigo retomou a sua oração na direcção que entendia ser, para si, a correcta. 
Não satisfeito com o acto reprovável que acabava de praticar, o cruzado francês voltou a repeti-lo, incomodando Samir de forma inadmissível. 
Não podendo permitir aquele acto bárbaro, expulsámos o cruzado. 
O nosso amigo, decepcionado e com a paciência esgotada, desculpando-se, retirou-se também. 

O que uns levam tanto tempo a construir, outros deitam por terra em minutos. Um mau prenúncio ... "

Falcão do Templo

20 de Maio de 2010


                                        Nas escaldantes areias do deserto,
                                        no vislumbre antecipado da batalha,
                                        ... fui os teus olhos, Cavaleiro.

                                        Nas longas e solitárias noites,
                                        velando o teu parco descanso,
                                        ... fui os teus ouvidos.

                                        No plano eficaz da victória
                                        portando o teu Sigillum Militum
                                        ... fui a tua voz.

                                        No fervor da batalha,
                                        unindo-me à tua espada,
                                        … fui a tua garra.

                                        Na hora do teu supremo sacrifício,
                                        no momento calmo do doce abandono,
                                        ... transportei a tua alma.

                                        Nas velas em que naveguei,
                                        rumo às ilhas esquecidas,
                                        … gravei o teu sinal sagrado.

                                        Nas longas noites de nostalgia,
                                        contemplando as estrelas,
                                        … senti a tua presença constante.

                                        De volta à saudosa Casa,
                                        cavalgando as ondas do mar bravio,
                                        ...trouxe-te na lembrança.

                                        No porto d’El Rey, meu senhor,
                                        num ritual sagrado de fogo,
                                        … purifiquei o teu espírito.

                                        Agora nas águas em que repouso,
                                        portador da tua Relíquia Sagrada,
                                        aguardo por ti, Cavaleiro...

 



Tolerância e dignidade

19 de Julho de 2010


"Após a dura e sangrenta batalha, vi um Templário chorar enquanto virava e dava uma posição de digno repouso ao corpo morto de um soldado árabe, seu inimigo. 
Que o Misericordioso acabe rápido esta guerra, pois a estes homens valorosos e honrados, prefiro tê-los como amigos." 


(Memórias de um Sufi)

Corporal de Santa Maria

30 de Agosto de 2010


"Pai, Hei me de novo peregrino perante vossos sagrados ossos, para renovar meus votos de fidelidade à vossa memória. Corre nestas veias a herança dos Grandes de Ribadouro, dos quais fosteis o maior em nobreza e honra. Honra pela qual quisésteis dar a doce vida pela palavra não cumprida. O destino não o permitiu. A causa a isso obrigou. Como se nos aperta o coração! Serei Afõso para o mundo. Para vós serei sempre o vosso querido Perº ; aquele que banhásteis em pequeno, nas frias ágoas do Palaciola e em cuja margem, à sombra do colosso de Gamuz, désteis as primeiras liçoens de vida. Quanta recordaçaõ! Sabei que fazemos retoma do solo sagrado dos nossos antepassados e dele laboramos defensa com os Cavaleiros da sagrada Ordem, dos quais sou irmaõ. Com eles será dada ao mundo a Luz que tanto anseia e para a qual vós e nosso padre Bernardo tanto lutásteis. 

                            Senhor, deixai que vos sejam presentes
                                                                        a minha espada!
                                                                        os meus respeitos!
                                                                        a minha homenagem!
                                                                        a minha eterna saudade! "


 Perº Afõso Monis 


Pero Moniz 'O TEMPREIRO QUE FOI REY' 
1110, Setembro, 28 - 1185, Dezembro, 6    

___________________________________________
Os elementos Templários Portugueses, presentes em Coimbra em Setembro de 2010, apresentarão por sua vez, perante vossos sagrados ossos, os votos renovados de fidelidade à causa da Ordem.

TEMPLUM “IN” AETERNUM !

Leões de pedra

3 de Dezembro de 2010 

 

 
"Ilha de Santa Iria"        

Relato de um fenómeno sísmico - 1312 
(texto adaptado) 

            Sopra forte o vento, 
            há espuma no ar.
            Devem estar revoltas
            as ondas do mar.

            De repente ecoa
            um som de pasmar
            que tudo ao redor
            consegue abafar.
 
            Que rugido é este
            p'ros lados do mar?
            Tão forte, tão alto
            se fez escutar?


            Em cuidados fomos
            à praia espreitar.
            E não vimos fúria
            nem revolta no mar.
 
            Que rugido é este
            que se fez ouvir? 
            Parecia que a terra
            se estava a abrir!


            Buscámos na terra
            uma explicação
            para tal rugido,
            tão grande troão. 

            Não pudémos ver
            em nenhum lugar
            de onde viesse
            tão estranho troar...

            ...Se estiveram revoltas
            as ondas do mar,
            que estranha força
            as fez acalmar?

               

Escolastica Maria

9 de Dezembro de 2010

Em 1140 o mosteiro de Leça do Balio, até então na posse dos Templários, é entregue aos Hospitalários em circunstâncias muito dúbias e num ambiente de conflito latente. O seu Comendador Vasco de Sousa é morto por se recusar a entregar a Comenda. Na noite anterior, prevendo o desenlace fatal, deixa escrita uma carta para os seus descendentes. Escolastica Maria foi a última daquele ramo dos Sousas que cumpriu a vontade do seu antepassado... Orar pela sua alma todas as quaresmas, na Igreja do mosteiro, e gritar a verdade a quem a pudesse ouvir. 


" A seis do mez de Junho de 1735 nasceo Escolastica, filha de Domingos de Sousa, e de sua molher Anna Antonia [...] . Ainda nos dous ultimos annos, antes da sua morte, contando já cento e seis, veio do logar da Agrela, apegada a um páo, a esta Igreja Matriz, distante um bom pedaço d'aquelle logar, sendo a ida incómoda, por ser sempre a subir, satisfazer aos preceitos quaresmaes, porque assim o queria, eu a confessei ambas estas vezes, e certifico, que tinha juizo perfeito, e os cinco sentidos, á excepçaõ de ouvir, que um quasi nada lhe faltava; notei-lhe uma pasmosa força de nervos, por quanto, attenta a sua falta d'ouvir, confessei-a fora do confissionario, e ella ás vezes, lá nos seus enthusiasmos, e nas suas exclamações, me lançava as maõs ás bandas d'hum forte casacaõ de castorina, que eu trazia, e as lançava, e puxava com tanta força, que me foi necessario admoestal-a, que moderasse a sua força, em tal caso inutil, aliás m'o rasgava: esta mulher muitas vezes exclamava: "Ah! Leça, Leça! ah, Leça! quem te vio, e quem te vê!". [...] Esta molher que era pobre, estava pedindo esmola no logar de Araujo, vivia em uma casinha, que pela sua deterioraçaõ era quasi egoal ao ar livre; n'aquelle inverno de 1843 foi atacada d'huma catarrhal, e mais por falta de meios, do que pelo pêso dos seus muitos annos, succumbio á molestia, que para um rico talvez naõ seria mortal [...].” 

A onze de Dezembro de mil oitocentos e quarenta e três morreu com todos os Sacramentos, Escolastica Maria, viúva, moradora no lugar da Agrela, desta freguesia de Leça do Balio. Contava 108 anos, 6 meses e 5 dias.

_________________________________
Ao contrário do que os historiadores dizem, Leça do Balio foi primeiro Templária (séc.XII) e só mais tarde sede da do Hospital. Assim o atestam alguns dos símbolos Templários ainda ali existentes.

Abadia Velha de Salcedas

19 de Janeiro de 2011

Mosteiro de Salzedas 

O mosteiro de Santa Maria de Salzedas foi o segundo de dois mosteiros mandados edificar na primeira metade do século XII por Dona Teresa Afonso, mulher de Dom Egas Moniz, aio do primeiro Rei de Portugal. 
Duas vezes ampliado através dos tempos, ainda hoje se notam os vestígios de cada uma dessas ampliações. Da primitiva fundação resta um absidíolo encostado à parede do transepto da igreja, do lado exterior, e da ampliação ordenada ainda pela fundadora, a parte da parede do lado norte. 

Ruínas da primeira abadia 

Salzeda era um lugar onde é hoje a Abadia Velha, distante de Salzedas cerca de 1.500 metros, na confluência dos rios Varosa e Torno, em cuja encosta havia um eremitério do século IX. 
Neste local foi fundado "...per ordem de donna Tereia Affonso de Asturias, molher de Dom Egas Monis e ama del Rey Dom Affonso Enriques e de seus filhos,...os quaes mosteiros hum delles, que foi o primeiro, mandou fundar abaixo da villa da Cucanha, junto do rio Barosa, na comarca da cidade Lamego, duas legoas della, ao qual intitulou o Mosteiro de Santa Maria da Salzeda (e por memoria delle se chama agora onde esteve este Mosteiro edificado Nossa Senhora da Abadia Velha, que o tempo consumio); e o segundo, que oije permanece, mandou fundar junto do rio Torno, hum quarto de legoa distante do primeiro.

De pequeninos, entregues aos cuidados das amas e à supervisão do abade Cirrita, por aqui brincaram, companheiros inseparáveis, ..."Affonso Enriques filho do conde Dom Enrique e Donna Tereja que nasceo tolhido dos membros e Pero Affonso filho de Dom Egas Monis e Donna Tereja Affonso. Irmaons collaços, os dois Affonsos aqui viveram os primeiros tempos de suas vidas sempre muito juntos, brincando de sua preferencia na velha fonte sobranceira ao rio onde se entreteniam a ver a alegre dança das areias da nascente. Mas enquanto um crescia e se tornava rapaz forte o outro por infelicidade definhava e se tornava mais fragil de saude. O que o ceo parecia ajuntar em amizade perpetua a morte decidio apartar ao fim de cinco annos que foi quanto resistio a enferma do filho do Conde.

A fonte de Sarzeda ( a que se referem documentos do séc. XII ) 

Ainda há pouco tempo, diziam os garotos da terra que iam brincar para a fonte, que costumavam encontrar um rapazinho estranho que, meio escondido por entre as flores e a folhagem, lhes sorria enquanto os observava de cima da grande lage da nascente...

Caçadores de ilusões

28 de Janeiro de 2011


A propósito da descoberta recente de grandes quantidades de documentos Templários dos séculos XII e XIII, veio-me à memória um episódio rocambolesco acontecido há cerca de cinco anos durante um "inocente" almoço de cortesia. 

Na altura, andavam uns 'doutores' interessados num pergaminho árabe coevo da conquista de Santarém, que tínhamos emprestado a um amigo de confiança para ser exibido numa mini exposição sobre os Templários italianos. 

Esse pergaminho árabe continha, em verso, a indicação para o local onde tinha ficado 'perdida' uma pequena parte do espólio Templário da fortaleza de Soure que as tropas muçulmanas haviam recolhido, após nos terem vencido, e transportavam de volta à praça de guerra de Santarém. 

Acossados pelos nossos saídos de Coimbra, os árabes empreendem o regresso apressado e durante uma alucinante fuga noturna, por entre enorme borrasca, o condutor de um dos grupos de mulas que transportavam o dito espólio de guerra, apercebeu-se horrorizado, que o último animal da fila havia desaparecido como que por encanto. 
Tinha caído num poço de mina. 

Perto, uma ermida moçárabe com um tanque do lado esquerdo da porta escavado na rocha. 
Não teve outro remédio senão prosseguir, não sem primeiro memorizar num relance o local para, se possível, voltar e resgatar os seus pertences e os valores contidos nas duas caixas que o infeliz animal transportava. 
E fê-lo, escondendo por entre os versos que escreveu, as características do local, que o reconduziriam mais tarde ao seu pequeno tesouro. 
Não voltou. Morreu, pelejando no primeiro recontro com os nossos, nas muralhas de Santarém. 

Esta era a história que acompanhava o pergaminho árabe e que contámos aos nossos 'doutores' durante o dito almoço. 
Enquanto um manuseava o documento, o outro disfarçadamente fotografou-o fingindo estar a atender uma chamada de telemóvel, deixando depois o aparelho ligado em modo de gravador de voz para registar toda a conversa. E convenceram-se que não tínhamos dado por nada. O que nos divertiu imenso. 

Dois anos. Foi o tempo que os referidos 'senhores' levaram a descobrir o que restava do tesouro perdido. 
Chegaram mesmo a comprar o terreno onde se encontravam ainda as fundações da ermida e o respectivo tanque escavado na rocha. Depois foi a desesperada busca pelo poço de mina abandonado. 
Encontraram-no. 

Numa conversa mais recente, um deles confidenciou-me que tinha no seu museu particular uns artefactos árabes que lá tinha achado. Mas nada mais. 
Não sei se chegou a perceber o sorriso dissimulado que fiz quando me veio à memória a imagem das duas caixas carregadas com os nossos pertences. 
Já as havíamos resgatado há séculos...

O pacto secreto

8 de Fevereiro de 2011


1147 foi o ano de grandes conquistas para El-Rei D. Afonso de Portugal, nosso senhor. O pacto secreto entre o soberano português e Ibn Qasî, chefe espiritual do movimento Muridin (que lutava para destronar os almorávidas), permitiu a tomada de Santarém quase sem luta. Seguia-se a bem defendida Lisboa, entretanto sitiada, onde já se encontravam, dissimulados na cidadela, os discípulos do mestre sufi. Mas um factor inesperado veio alterar toda a estratégia. Membros do clero de Braga, à revelia do arcebispo D. João Peculiar, tinham incentivado os cruzados nórdicos, cuja frota se encontrava em trânsito pela nossa costa com destino à Terra Santa, para se juntarem ao cerco iniciado pelos portugueses. [...] que, se ajudassem a tomar a cidade, ricos espólios os aguardavam. 

"Chegam, e cedo se intrometem, impondo à força o seu grande número de gente". 

O conflito acabaria por dar-se em duas frentes. Sem tempo para recuar, os nossos veem-se perante a urgência da tomada da cidadela aproveitando as forças já aí infiltradas, para depois (ironia do destino) ter de lhes dar protecção. Por outro lado, na necessidade de honrar os termos do pacto secreto, tentar-se-ia proteger a população durante e após a tomada da cidade. 

"Mina-se a muralha oriental da almedina, que cai por terra, atraindo para aí os defensores. A porta norte é aberta para a saida de alguns muçulmanos que nos arremetem enquanto transpomos o fosso. Vendo a oportunidade, Martim Moniz atravessa-se no portão não permitindo que este se feche por completo e vê a sua vida ser-lhe tirada na ponta das lanças que o trespassam. Uma parte importante das nossas forças investe então por ali e entrados na praça de armas vê finalmente negociada a entrega do último reduto árabe que estava já sob parcial controle dos nossos aliados Muridin." 

A baixa da cidade é entrada pelos cruzados estrangeiros e a maré de selvajaria abate-se sobre os habitantes. Na mira dos ricos despojos, assaltam casas, vandalizam, violam, matam indiscriminadamente. O Rei português avisa, ameaça, enfrenta as hordas de mercenários e tenta comprar a tolerância destes. Demasiado tarde para alguns, mas para os sobreviventes é a oportunidade de uma vida nova. Como sempre, ninguém seria expulso. Independentemente da sua origem, credo ou condição, haveria direitos para quem quisesse permanecer na cidade, . 

Era assim que os portugueses conquistavam. 

Sabendo que durante o cerco haviam sido enviados emissários árabes a Évora a pedir envio de reforços e que o então emir os tinha ignorado, cumprindo assim os termos do tratado secreto, D. Afonso I envia uma delegação de Templários à praça forte alentejana, a Silves e ao ribat de Al-Rihanâ (Arrifana) para entregar em mão cartas onde o soberano agradece a colaboração e justificando-se relata os recentes acontecimentos: 

Ibn Qasî - estátua equestre dedicada pelo povo de Mértola ao grande mestre sufi 

" ...Wasîr a paz esteja contigo. Já deves saber da conquista de Lisboa pelas forças cristãs. Os desígnios do Altíssimo são insondáveis. O plano traçado foi alterado por motivos inesperados. Como sabes a cidade seria tomada com a ajuda dos guerreiros Muridin, derramando-se o mínimo de sangue, tal como aconteceu em Santarém, mas tal foi gorado pela inesperada presença de forças estrangeiras. Cruzados que a tudo se impõem pela força e nada nem ninguém respeitam. Foi empresa dificil entrar Lisboa e defendê-la ao mesmo tempo. Como sabes não nos movem as riquezas materiais; essas deixámos às mãos dos bárbaros cruzados para a poupança de vidas. Envio-te os meus emissários do Templo que portam esta carta onde te rogo a tua compreensão e clemência. O pacto estabelecido com Ibn Qasî mantem-se com a lealdade e firmitude com que nele roborei..."

Para selar o pacto secreto com Ibn Qasî, Afonso I de Portugal oferecera-lhe um cavalo, um escudo e uma lança. Um gesto carregado de simbolismo. Este pacto viria a custar a vida ao mestre sufi quando, atraído sob cilada ao palácio das varandas, no castelo de Silves, é assassinado pelos espiões almóadas que o decapitam e passeiam a sua cabeça espetada na lança que o Rei Templário lhe havia oferecido. 

Tem-se atribuído erradamente este assassínio à população de Silves, assim como ao longo do tempo se tem ignorado e denegrido a imagem do mestre Ibn Qasî. Do mesmo modo se tem dado uma imagem errada de El-Rei D. Afonso I de Portugal retratando-o como um implacável e feroz mata-mouros. O ódio entre cristãos portugueses e islamitas muçulmanos foi criado à conveniência política e religiosa dos historiadores. 


A Futuwâ ou Cavalaria espiritual pressupõe o respeito pelo adversário, a generosidade e a protecção dos mais fracos. Nas imagens, os cavaleiros árabe e cristão abraçam-se fraternalmente e jogam xadrez. As lanças cravadas, em paralelo, no solo significam trégua e tolerância.

Castelo de Ben Ab-Cete

10 de Abril de 2011 


O Alcácer de Ben Al-Abbaci (Ben Ab-Cet) é tomado pelas forças de El Rei D. Afonso I de Portugal em 1147. O alcaide muçulmano Ben Al-Marzuq defende o reduto até ao último homem. O Alcacer torna-se castelo português e nele fica instalada desde logo uma guarnição Templária. 
Os terrenos são férteis e estão bem cultivados. El Rei decide deixar no local uma comunidade que se vai estabelecer e cuidar da terra. A supervisão fica entregue aos freires de Cister que iniciam a construção da primeira igreja de Alcobaça dedicada a Santa Maria. Precisamente o templo original, precursor do actual mosteiro. 


A oito de Abril de 1153, o Rei nosso Senhor D. Afonso faz carta de doação dos coutos de Alcobaça a Bernardo de Claraval e à sua Ordem de Cister. Toda a zona sofre um forte impulso de desenvolvimento, sempre sob a protecção da milícia Templária. 
É fundado neste ano o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. O mesmo ano em que morre Bernardo de Claraval. 

Em 1190, toda a região é invadida na sequência da vasta ofensiva de Al-Mansor, rei de Marrocos, e é no castelo de Alcobaça que se dá um dos mais significativos actos de coragem e abnegação da milícia Templária. 
Os árabes deslocam um poderoso contingente de forças para cercar o castelo e o mosteiro, na sua famosa táctica de meia-lua. 
A defesa é impossível face à maré muçulmana que avança. A situação é insustentável. Aos sitiados resta a fuga para o mar através da lagoa da Pederneira. O plano é traçado rapidamente. Religiosos, colonos e combatentes irão usar os pequenos botes de pesca artesanal, suficientes para se escaparem até aos barcos que os aguardam na foz da lagoa. 
É então que o drama se desenrola, provocado por aqueles que, filhos de um Deus maior, dEle depressa se esquecem quando chega o momento apertado de salvar a pele. Ao egoísmo e cobardia de uns se sobrepôe a coragem e o sacrifício de outros. 

"... tratando de vigiar a proximidade do inimigo, a pequena guarnição Templária avança no terreno deixando aos frades espaço e tempo suficientes para prepararem a retirada através da lagoa. O estreito de Valados está livre, os botes e barcaças são suficientes para todos, a fuga ainda é possível. Na foz, junto à Casa da Barca, barcos de cabotagem aguardam-nos, preparados para partir. Os frades, num gesto vil, decidem levar com eles o máximo de espólio religioso ocupando todos os botes. E partem sem os Templários. Ainda é possível apanhá-los por terra na Torre das Pirreitas. Mas isso seria levar até lá parte do exército inimigo no encalce. Significaria o fim de todos. 
Os Templários decidem então ficar. Recolhem-se no castelo e preparam a defesa..." 

Os cavaleiros do Templo sabem que aquela tarde portuguesa, será para eles, a última. Ainda vêm a igreja-fortaleza de Santa Maria do Mosteiro ser consumida pelas chamas . Depois, tal como Ben Al-Marzuq 43 anos antes, combatem até ao último homem. 


O castelo é reconstruido por D. Sancho I em 1200. 
Em 1329, devido a um violento sismo, algumas muralhas ruíram. 
D. João I reedifica-o mas volta a sofrer enormes prejuízos devido a novos abalos em 1563 e 1755. 
No século XVIII ainda tinha o aspecto de fortaleza e faziam-se notar as torres e panos de muro. 
Em 1838 a Câmara Municipal de Alcobaça delibera a demolição do castelo transformando-o numa pedreira. Até 1855 são doadas e vendidas milhares de carradas de pedra e cantaria. 
Em 1956 a autarquia procede a obras de restauro e desaterra o que resta do castelo de Alcobaça.




Códigos de Honra

21 de Abril de 2011


Era conhecido como o maneta de Thomar. Semi-nu, cobria-se com uma simples pele de borrego, a qual não conseguia evitar que quase desfalecesse de frio, naquela tarde de outono de 1179. Os garotos, cruéis, não perdiam a oportunidade de lhe jogarem pedras, obrigando-o a encolher-se como um farrapo humano a um canto da calçada mourisca que levava ao castelo. Tratavam-no como um cão sarnento e, como um cão, comia no chão os restos que lhe atiravam com desprezo. Baixava a cabeça, envergonhado, quando o maltratavam e só a levantava para sustentar com um olhar de profunda tristeza, a humilhação de ouvir: 

" Aos ladrões é que costumam cortar as mãos. Para que não voltem a roubar." 

Pero Vintes, tinha sido recentemente destacado de Soure para Thomar integrado num grupo de cavaleiros Templários. Já se tinha cruzado algumas vezes com aquela pobre criatura e foi-se inteirando da sua precária condição. Naquela tarde, decidiu-se a saber mais: 

- Paz, irmão. Há dias que vos observo e sou levado a pensar que a vossa mão esquerda, aquela que humildemente suplica, poderá contar da mão destra, que vos falta, uma história muito diferente da que por aí maldosamente contam. Se assim é, gostaria de ouvir a vossa versão. 

O pobre homem assentiu com a cabeça e timidamente levantou-a mostrando uns olhos marejados de lágrimas: 

- Assim é, senhor. Sabei que a mão que aqui falta, foi sempre honrada. Selou muitos compromissos até ao dia em que me foi impossível cumprir um deles. Coberto de vergonha, jurei que essa mão não voltaria a apertar outra para selar o que não podia cumprir, e com a minha própria espada, a cortei fora. Compreendei, senhor, que esta sombra do que fui e que hoje aqui vedes, não é a de um reles ladrão mas a de um infeliz incumpridor. 

O Templário não necessitava ouvir mais nada da boca daquele homem. 

- Homens como vós fazem-nos falta. Vinde comigo. Não se senta no chão quem merece um trono. 
- Senhor, não vos posso acompanhar. Vossos irmãos certamente irão me rejeitar! 

Ajudando o infeliz a levantar-se e cobrindo-o com o seu manto branco, Pero Vintes disse-lhe baixinho: 

- Não é para a que conheceis, que vos convido. Vinde Irmão, espera-vos a verdadeira Ordem... 

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Texto adaptado da crónica "Memorias de hum Tempreiro
A foto é um tributo à memória do artista Joaquim Vieira Basilio, o "mendigo Basilius", personagem contemporânea, presença habitual nas feiras medievais. Um abraço dos Templários Portugueses.

MOMENTUM

3 de Maio de 2011

 
 
 1309
 
(*) […] foi quando no final de sua vida, no ano do Senhor de 1193 (**), o Mestre D. Gualdim mandou criar a Comenda de Santo Isidoro, em cujas casas alguns de nossos irmãos saidos de Thomar se estabeleceram, e pouco depois desbravaram terra junto à costa oceanica, desde Santa Susana a norte, até aos limites da póvoa da Eyricea no sul, nos quais limites os nossos religiosos criaram a abadia de Santa Maria d’Ilhas e plantaram pinhal e vinhas. [...] meu avô foi um desses fundadores. 
Esta Comenda já existe há 117 anos mas não consta dos registos da Ordem, e por isso aqui deixo o meu testemunho para os presentes e os futuros, de que esta Comenda existiu e da qual meu avô fez parte da sua fundação como Cavaleiro do Templo. 
Agora no fim de meus dias, [mais...] deixo [junto...] para os meus descendentes alguns de meus simples pertences , com a súplica de que estas palavras que escrevo nunca deles se apartem, para que tenha lembrança perpétua a grandeza da nossa Ordem, que ora destroem e se acaba. 

Eu, Martim Coello esta carta fiz no ano da Encarnação do Nosso Senhor de 1309. (***)” 

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* - Transcripção do manuscripto. Segundo o Livro de Assentos "VITULUM BINARIUM" ainda na época esta Comenda ficou registada como Comenda de S. Lourenço de Ilhas, no termo norte da Vila da Ericeira.
** - No original "Era de MCCXXXI" (1231)
*** - No original "Era de MCCCXLVII" (1347) - a estas eras tiram-se 38 anos para as converter na Era de Cristo.



1835

" [...] não pára a vaga de roubos e vandalismo de que sofre o nosso Convento de Thomar por parte da urbe ensandecida. De temerosos a Deus e à Ordem de Christo, de um dia para o outro, passaram a temerários profanadores. [...] do pouco que salvei, conto esta caixa que contem as reliquias de meu antepassado, D. Martim Coelho e o livro da nossa linhagem e vidas dedicadas ao Templo. Bens que me vejo forçado a esconder na nossa casa da rua da Periguilha (*) [...] 

Aos 14 de Maio de 1835       
Fr. Lourenço Coelho          
Cavaleiro da Ordem de Christo. " 

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* - ou Rua de Peralves Seco, depois chamada Rua da Capela.

 
 
1989 
" Caríssimos Amigos 

[...] esta casa que herdei de meu saudoso pai, falecido em 1962, e sita na Rua da Capela, tem uma história que vos quero deixar. [...] este velho edifício de dois pisos, há muito na posse da nossa família, respira memórias e transmite vida. Por isso, ainda consegue surpreender até, os que o querem ver por terra. [...] quando herdei a casa decidi avaliar as condições em que esta se encontrava. Nessa altura e talvez prevendo uma decisão precipitada, um tio meu veio ter comigo, entregou-me um pequeno caderno de capa preta que tinha pertencido ao meu avô e disse-me : " Se estás a pensar deitá-la abaixo, lembra-te que ela ainda tem uma história para contar. Lê este caderno com atenção e depois decide o que deves fazer." Li o seu conteúdo e segui com cuidado as instruções nele contidas. Descobri por debaixo do soalho da sala, o acesso à cave que tinha sido usada como adega, arrombei o reboco da parede do lado do castelo e do nicho ali dissimulado retirei o livro de linhagem da nossa família e a caixa que continha o pergaminho de 1309, o anel de Cavaleiro templário e a ampola de vidro selada que guardava a madeixa de cabelo do meu antepassado D. Martim Coelho. 700 anos depois! [...] deixo assim à vossa guarda, meus amigos, estas relíquias, rogando a vossa promessa de que um dia se dignem testemunhar o que aqui vos descrevo. 

Do vosso amigo       
Domingos Neves Coelho 

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Quanto a nós, o prometido foi cumprido. 
Domingos Neves Coelho faleceu a 3 de Janeiro de 2002 sem deixar descendência. Partiu em paz e convicto de que certas coisas não acontecem por acaso...


Castelo de Penha Alva

17 de Junho de 2011


Castendo era o antigo nome de Penalva do Castelo. Em tempos ainda mais recuados foi também conhecida por Vila Nova de Santo Sepulcro. Enquanto que de uma retirou o nome da Ordem, donatária de toda a região (Ordem do Santo Sepulcro), da outra retirou não só o nome do castelo que ficava a pouca distância, como dele retirou, uma por uma, todas as suas pedras; o desaparecido castelo de Penha Alva. Divide estes dois lugares o rio Dão. Une-os, para além da História, uma ponte antiga conhecida por Ponte do Castelo. 

Ponte do castelo 

Hoje, existem no lugar do antigo castelo, os restos do velho mosteiro do Santo Sepulcro; algumas casas à volta de um pátio fechado onde facilmente se imagina a muralha exterior, à qual estavam adossadas, que as circundava e protegia. À entrada, a enigmática igreja do Santo Sepulcro. É nela que vamos basear o nosso relato histórico, com imensa pena pelo que de tão pouco nos é permitido contar. 


Casas do Mosteiro 

Gondomar foi um dos dois cavaleiros portucalenses que fizeram parte dos nove fundadores da Ordem dos Templários que em 1118 apresentaram a Balduíno, monarca cristão na Cidade Santa, o projecto da Ordem. 
Moçarabe, conhecido pelos Irmãos como Conde Omar (Omar ibn-Akim nas crónicas árabes) e popularmente como Gondemar, participou no dia 15 de Julho de 1099 na tomada cristã de Jerusalem, sendo dos primeiros a atravessar a antiga Porta dos Peregrinos e também dos primeiros a ficar impressionado com a feroz matança que se seguiu. 
De Jerusalém, recolheu as primeiras relíquias que trouxe para o condado portucalense e que, em segredo, entregou à guarda dos freires da Ordem do Santo Sepulcro do Castelo da Penha Alva. 

Pequena igreja do Santo Sepulcro 

Em 1110, e após anos de tentativas por parte das altas autoridades eclesiásticas para descobrirem o paradeiro das ditas relíquias, os freires viram-se obrigados a escondê-las nas proximidades, num local que sabemos hoje chamar-se de Penedo dos Mouros, pouco antes de todo o castelo ter sido completamente revirado em consequência da referida busca. 

Ainda na época, as tão assediadas relíquias foram novamente recuperadas pelos monges e escondidas (podemos hoje dizê-lo) no túmulo do nosso querido Irmão Gondemar, sepultado no interior da igrejinha do Santo Sepulcro. 

Dalí, após tomar conhecimento do seu paradeiro, o saudoso Mestre Gualdim as recuperou, no longínquo dia 8 de Agosto de 1164 e as levou para Thomar. Por tal acontecimento ficou conhecido na época, dentro da Ordem, como o lugar mais sagrado do reino. Ainda por tal facto, e já no decurso das ruinosas obras de Fr. António de Lisboa efectuadas na igreja de Santa Maria dos Olivais em Thomar (no reinado de D. João III), foi para ali trasladado (para o mesmo túmulo, na pequena igreja do Santo Sepulcro) um dos quatro vasos funerários contendo os restos mortais do velho Mestre Dom Gualdim. Umas e outras, ambas as relíquias foram resgatadas e descansam hoje sob a protecção atenta dos velhos Guardiões da Ordem… 



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